Área do Associado:

Esqueci minha senha

Associe-se

Associe-se

Agenda

Notícias

"FALTAM MULHERES ENTRE AS LIDERANÇAS EMPRESARIAIS"
Cristhine é a primeira mulher a comandar a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) e a terceira a representar o setor industrial no país

Após 60 anos de história, a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) terá a primeira mulher na cadeira da presidência. O posto vai ser ocupado pela empresária Cristhine Samorini, de 41 anos, que terá como desafio contribuir para a recuperação das empresas do setor afetadas pelo novo coronavírus.

Segundo ela, as indústrias nacional e capixaba vão precisar encontrar saídas para compensar o grande prejuízo causado pela Covid-19 e que o cenário pós-pandemia vai exigir das companhias redução de custos, aumento da eficiência, inovação e transformação digital.

Para empresária, os desafios nacionais são gigantes e o que está em jogo é a sobrevivência de muitos negócios. "As indústrias do Brasil deveriam estar muito mais à frente do que estão. A gente aqui ainda está discutindo saneamento básico, enquanto na Alemanha se debate indústria 4.0, Big Data… Estamos com uma agenda do século XIX em pleno século XXI."

Inserida em um ambiente com predominância masculina, Cristhine diz que chama a atenção o pouco número de mulheres à frente das empresas. "Em cargos de gerência e de supervisão, a gente já superou bem, mas ainda faltam mulheres nas lideranças industriais, nas presidências e isso tem me incomodado mais porque nós, mulheres, temos muito a contribuir."

Cristhine é diretora comercial há mais de 20 anos da Grafitusa, empresa de sua família que completou 100 anos de existência em maio. Eleita em abril, tomará posse no dia 29 de julho – último dia da gestão do atual presidente, Léo de Castro.

Confira a entrevista:

Como está sendo este momento de transição, faltando poucos dias para assumir a presidência da Findes?
Nosso plano de construção da candidatura começou há um ano e em nenhum momento previ um cenário tão desafiador como o que estamos vivendo e vamos atravessar. A economia vinha num cenário de crescimento, com ajustes necessários sendo feito de forma positiva e a nossa conversa era sempre pensando no desenvolvimento para o futuro, não para combater uma interrupção como essa. Mas como me disse o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) [Robson Braga de Andrade] não devemos esperar que nada pior vá acontecer – nós já estamos no extremo de uma situação ruim.

E quais vão ser os principais desafios à frente da federação?
Acredito que o maior desafio vai ser reavaliar o cenário industrial pós-pandemia. A gente tem feito um acompanhamento bem de perto com as empresas e temos visto que vai ser necessário reduzir custos, aumentar a eficiência, inovar, fazer uma transformação digital. A indústria brasileira tem perdido competitividade. Falando especificamente do momento que estamos vivendo, a cada 10 indústrias, 9 sofreram algum tipo de impacto com o coronavírus – seja queda de receita, mudança de modelo de negócio. Então vai ser preciso discutir a sobrevivência das indústrias e as indústrias do Brasil deveriam estar muito mais à frente do que estão. A gente aqui ainda está discutindo saneamento básico, enquanto na Alemanha se debate indústria 4.0, Big Data… Estamos com uma agenda do século XIX em pleno século XXI

Durante a campanha eu não queria que isso fosse utilizado de forma apelativa, como uma muleta, mas é importante que tenhamos novos personagens olhando por novas perspectivas.

Mas o ambiente industrial é majoritariamente masculino e durante eventos na própria Findes é possível ver como são poucas as que participam.
E você sabe que isso tem me incomodado bastante? Isso sempre fez parte da minha vida, sempre convivi num ambiente masculino e fui conquistando meu espaço e sei o quanto foi necessário eu ter capacidade técnica para debater os assuntos do meu setor – o gráfico. E esse ambiente masculino nunca me deixou inibida a participar dos eventos. Agora eu vou nos eventos e olho ao redor e só tem uma mulher e ela não está sentada na mesa. Então percebo que há um distanciamento grande das lideranças. Em cargos de gerência de supervisão a gente já superou bem, mas ainda faltam mulheres nas lideranças industriais, nas presidências e isso tem me incomodado mais porque nós, mulheres, temos muito a contribuir. Para você ter ideia, eu sou a única presidente mulher de Federação no Brasil. Na história, só duas passaram e não concluíram o mandato. Mas estou tendo uma ótima recepção, não posso deixar de falar isso.

Vão ser feitas mudanças na equipe?
Eu estou sucedendo uma gestão bem estabelecida, bem construída. Os ajustes são pequenos, mas passaremos a trabalhar com um Conselho e com um diretor-executivo. Nós vamos implementar o Conselho e contratamos um headhunter para ajudar na contratação do diretor-executivo. Chegamos a cinco finalistas, agora reduzimos para três e acredito que na terça-feira (14) já tenhamos esse nome. Estamos revendo algumas diretrizes porque fizemos boas entregas na atual gestão, mas agora o cenário mundial é outro, o momento de consumo é outro. Vamos elaborar também um plano de 100 dias com entregas importantes para não perder o ritmo. Tenho falado aos executivos “Não é porque mudou a presidência que vamos perder o ritmo”.

Já foi filiada a algum partido? Já teve alguma pretensão política? O que pensa sobre reeleição na Findes?
Falei que essa campanha me deixou preocupada. Nunca tinha me candidatado a nada, nem pretendo me candidatar novamente. Nunca fui filiada a partido político e agora vou seguir mais apartidária que nunca. E sobre reeleição, um dos fatores que eu considerei muito foi que existe tempo certo para cada coisa. Minha trajetória é como empresária, gosto do que faço e quero continuar sendo empresária. Não tenho como ficar tão ausente, tão dividida por mais que três anos. A gente começa a perder um pouco a temperatura do mercado. A gente tem um tempo para contribuir na presidência, acredito na renovação e reeleição não é a minha intenção.

Quando é a sua posse e como ela vai ser?
Vai ser no dia 29 de julho, que é o último dia da gestão do Léo de Castro. Vamos fazer uma posse virtual, comigo, com o Léo, com o governador, o presidente da CNI deve participar de forma remota e vamos fazer uma transmissão virtual. Vai ser uma posse de trabalho e vamos respeitar o momento. Não queremos que seja interpretado como algo festivo.

Quem é Cristhine Samorini

Cristhine Samorini tem 41 anos e nasceu em Vitória. Ela é diretora da Grafitusa há mais de 20 anos. Como diretora da Findes, fez parte de todas as administrações desde a presidência de Lucas Izoton, passando pelos mandatos de Marcos Guerra e de Léo de Castro. Atualmente está lendo Ruptura - A crise da democracia liberal, de Manuel Castells.

 
Fonte da Notícia: A Gazeta Publicado: 14/07/2020
Sindifer -  Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Estado do Espírito Santo

Endereço Sede:

Rua Juiz Alexandre Martins de Castro Filho, nº 180 – Ed. Cesar Daher Carneiro, Santa Luiza - Vitória/ES - CEP 29045-250
Telefones: 27 3225-8457 - 27 3225-8821
E-mail: sindiferes@sindiferes.com.br
Findes

CNI
Site desenvolvido por Tribo Propaganda