Dormente metálico: opção verde para as ferrovias
A malha ferroviária brasileira, que possui hoje pouco mais de 29 mil quilômetros de extensão, foi construída com base em dormentes de madeira – que são as estacas que assentam os trilhos por onde o trem passa. Essa opção, mais viável na época, está chegando ao final de sua vida útil e abrindo espaço para um novo produto: o dormente de aço.
Esse tipo de dormente é escolha mais sustentável para reestruturar as ferrovias do país. Enquanto 1 quilômetro de linha precisa de 1.850 dormentes de madeira – o que corresponde ao desmatamento de 337 árvores –, o mesmo quilômetro pode ser construído com 1.667 dormentes metálicos, fabricados com matéria-prima nacional.
Outra vantagem é que os produtos metálicos são três vezes mais resistentes e não correm o risco de pegar fogo com o esmerilhamento do trilho – situação a qual o produto de madeira está exposto. Diferentemente dos dormentes de concreto, outra opção utilizada no mercado, o dormente de aço pode ser reciclado, não gera lixo e é mais leve.
Plano de Investimentos em Logística
O Plano de Investimentos em Logística (PIL), anunciado pelo governo federal no ano passado, irá acrescentar 10 mil quilômetros à malha ferroviária do país. O primeiro lote, um trecho de 477 km entre Açailândia (MA) e Porto de Vila do Conde (PA), já está com o edital aberto para consulta.
De acordo com Carlos Alberto Pinto, presidente da fabricante Hidremec, o dormente metálico tem todos os requisitos para atender com sucesso esse e os outros 11 lotes que serão licitados até o final do programa. “É um dormente mais econômico, resistente e reciclável. E além de tudo preserva o meio ambiente, sem desmatar ou utilizar produtos químicos”.
O produto já está sendo usado com sucesso em ferrovias como a Estrada de Ferro Carajás (EFC), a Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) e Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), para a qual a fabricante completou a entrega de 1 milhão de dormentes em março.
Os dormentes também estão sendo testados na cremalheira da Serra do Mar, que liga o Planalto Paulista à Baixada Santista. Se a concessionária MRS definir pela troca de todos os dormentes da cremalheira, a demanda será de 13,5 mil peças.